ALEXANDRE LEME

domingo, 29 de agosto de 2010

Pra você guardei o amor (Nando Reis)

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

É bem popular... mas vale registrar pelo senso de humor... Adoroooo a PSICOLOGIA!!! Tenho ORGULHO em SER PSICÓLOGO!!!

Psicólogo não Adoece, Somatiza

Psicólogo não Transa, Libera a Libido

Psicólogo não Estuda, Sublima

Psicólogo não dá Vexame, Surta

Psicólogo não Fofoca, Transfere

Psicólogo não tem Idéia, Tem Insight

Psicólogo não resolve Problemas, fecha Gestalts

Psicólogo não se Engana, tem Ato Falho

Psicólogo não muda de Interesse, Altera Figura Fundo

Psicólogo não Fala, Verbaliza

Psicólogo não Conversa, Pontua

Psicólogo não Responde, Devolve a Pergunta

Psicólogo não Desabafa, Tem Catarse

Psicólogo não pensa Nisso, Respira ISSO

Psicólogo não é Indiscreto, é Espontâneo

Psicólogo não é Gente, é um Estado de Espírito

(Desconheço o(a) autor(a)... Gostaria de saber...)


CARTA ANÔNIMA

Para ler ao som de Melodia
Sentimental, de Villa-Lobos,
cantada por Olí­via Byngton...

Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais
de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que
parecem poeira assentada aos poucos, e com mais força
enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros,
embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de
vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte,
parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos,
o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo
nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses
pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada
e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis.
Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma
borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido
com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha.
Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela.
Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas
ferem, mesmo essas são sempre bonitas. Parecem filme,
livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que
eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
 
Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do
ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a
cabeça na vidraça e penso demais em você. Quando não
encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e
me deixava irritado, agora não, descobri um jeito
engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você.
Me seguro naquela barra de ferro, olho através das
janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do
corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés
delas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés,
lembro). E fico tão abalado que chego a me curvar,
certo que são mesmo os seus pés parados em alguma
parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria,
seriam?
 
Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando
penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina
dou de cara com você que me prega um susto de
mentirinha como aqueles que as crianças pregam uma nas
outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos
tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer
salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou
pensando em você e o telefone toca e corta meu
pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou
pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o
que falamos em seguida porque ficamos meio
encabulados, a gente tem muito poder de parecer
ridículos melosos piegas bregas românticos pueris
banais. Mas no que eu penso, penso também que somos
mesmo meio tudo isso, não tem jeito, e tudo que vamos
dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil
como a voz de Bianca Byngton cantando Villa-Lobos,
mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagall que
Van Gogh, mais Jarmush que Wim Wenders, mais Cecília
Meireles que Nélson Rodrigues.
 
Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando
pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando
penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu
ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então
tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E
deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no
meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a
terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e
nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca
na minha mão, eu toco na sua.
 
Demora tanto que só depois de passarem três mil dias
consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então
feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que
têm algas na superfície ressaltadas contra a areia
branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que
é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se
estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela
barra de ferro para meu corpo balançar como se tivesse
à bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz
tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso
em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente.
Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina,
quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente mas
penso tanto em você que na hora de dormir vezenquando
até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no
lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te
amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem
dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços
azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse
verdade, um beijo.
 
(Caio Fernando Abreu) 

quinta-feira, 18 de junho de 2009

EXCELENTE E VERDADEIRO ESSE DEPOIMENTO!!!

OS NOVOS GREGOS
Arte de Peter Blake

Fabrício Carpinejar



As festas gays são imbatíveis.

Nunca me decepcionei. Heteros como eu procuram as animadas baladas para dançar com irreverência. Erra-se o passo, mas não a alegria. Sem censura, a alegria aprende passos no tropeço.

O que me enlevava era a liberdade gestual, ninguém reprimia a diferença, não havia vigilância e preconceitos, um respeito e um cuidado raros na noite.

Descobri que não é mais assim em São Paulo. Os gays começam a se excluir.

Estava numa das principais casas noturnas, na Lapa. Um espaço para duas mil pessoas. O jogo de luzes da pista de dança provocava vertigens, a música eletrônica batia bem dentro das veias, não tinha motivo para frustração. Tanto que eu me diverti na entrada, pela primeira vez paguei menos do que a minha namorada.

Mas me encolhi com a violência estética. Homens desfilavam iguais, sósias de stripers, sem camisa, corpos em dia, calça jeans. Não andavam juntos, abraçavam-se ao espelho. Em pequenas rodas, fermentavam um assédio brutal, apontando, rindo, avaliando com a arrogância de jurados (algo como "quem vou levar para cama?"). Jovens malhados rebolavam em cima das mesas, uma vitrine viva, belvedere das curvas masculinas.

Fui lançado para uma academia de musculação, em que a felicidade se resumia a bíceps avantajados e torneados. As coreografias bélicas se repetiam em ciclos, no levantamento de copos e anabolizantes.

Não encontrava lazer, e sim um estaleiro iluminado de bicicletas ergométricas, esteiras, aparelhos de braços e pernas.

Os acenos e a aproximação se restringiam ao corpo. Ao elogio unicamente da nudez. Na pista, eu me sentia um pedaço de carne, assim como as mulheres já se viram ao longo do século. Só que era uma pobre costela. As picanhas, os vazios, os filés passavam perto em frenético espeto corrido. Fiquei com a impressão de que se os heterossexuais cuidassem mais do físico seriam gays. Dominava no local uma estética da gostosura, uma seita de foliões atletas, decididos a segregar quem não partilhava da idolatria física.

Nada contra a beleza, a vulgaridade é que me agredia. Não existe nada mais vulgar do que não permitir a conversa. Havia um culto à perfeição que desprezava contrapontos e dissidentes.



Onde estavam os magrelas, os barrigudos, os carecas, os tímidos e os introvertidos gays naquele ambiente?

Do lado de fora, ao redor da piscina. Marginalizados, num purgatório de silêncio e água. Não iriam correr o risco de serem linchados verbalmente. De serem humilhados por trabalharem o dia inteiro (como explicar que faltou tempo para se habilitar à olimpíada sexual?). Não ousariam tirar a camisa e se constranger pelos ossos que saltam dos ombros. Participavam da festa fora da festa.

A sedução consistia em atacar, não trocar idéias ou humanizar o rosto. Logo os gays que sofreram uma das mais graves perseguições culturais estão se perseguindo. Tomam para si os piores vícios da masculinidade.

Onde botaram o humor inteligente capaz de incluir os receosos? Onde colocaram a generosidade da carência, a viver o desejo sem culpa, sem afronta, sem diminuir os indecisos?

A turma não transmitia graça e leveza. Séria em sua performance. Desfilava uma concentração sádica, uma seqüência alternada de esforço e suor, uma devoção cega às britadeiras imaginárias.

Os sedentários não têm direito de dançar. Os ociosos, os intelectuais, os ocupados devem procurar um outro jeito de se divertir e namorar. Se possível, escondidos. Armários vão sendo criados pelos próprios gays. Inaugura-se uma patrulha muscular, em que os feios são desconsiderados. Postos em gavetas. Amedrontados.

Parece que a paixão acontece apenas pela aparência. O pensamento deixou de excitar.

Para ser gay, é preciso agora ser halterofilista. Não venha despreparado. Os novos gregos são troianos.

terça-feira, 24 de março de 2009

Amadurescência

A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom...
Na verdade é o medo.
Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada...
Inquilina de todos nossos riscos...
A juventude plena e sem planos... se esvai
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia não passar,
“O ser vil que passou pra servir...
Pra discernir...”
Pra pontuar o tom.
Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Não dever ao devir
Não deixar escoar a dor!
Nunca deixar de ouvir...

com outros olhos!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dejá Vu


Eu já vi Déjà vu 
Deixa ver 
Eu a ti 
Pareço com você 
Que parece eu 
Há muito tempo 
Tento a gente 
Combinar Penicilina e dor 
Janela e cantador 
Cor e cortina 
Me anima 
Me ensina 
A não bater na quina 
Andar na corda bamba 
Saber virar na esquina

Há mulheres...


Há mulheres que se pintam de caulim
na costa do marfim 
para o deus louvar
Eu também me pinto para o luar, em mim,
a prata derramar
Oh! Musa da inspiração!
Oh! Musa da inspiração!
Oh! Musa da inspiração!
Caia sobre mim este céu sem fim
Caia, sobre mim este céu...