domingo, 29 de agosto de 2010

Pra você guardei o amor (Nando Reis)

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

É bem popular... mas vale registrar pelo senso de humor... Adoroooo a PSICOLOGIA!!! Tenho ORGULHO em SER PSICÓLOGO!!!

Psicólogo não Adoece, Somatiza

Psicólogo não Transa, Libera a Libido

Psicólogo não Estuda, Sublima

Psicólogo não dá Vexame, Surta

Psicólogo não Fofoca, Transfere

Psicólogo não tem Idéia, Tem Insight

Psicólogo não resolve Problemas, fecha Gestalts

Psicólogo não se Engana, tem Ato Falho

Psicólogo não muda de Interesse, Altera Figura Fundo

Psicólogo não Fala, Verbaliza

Psicólogo não Conversa, Pontua

Psicólogo não Responde, Devolve a Pergunta

Psicólogo não Desabafa, Tem Catarse

Psicólogo não pensa Nisso, Respira ISSO

Psicólogo não é Indiscreto, é Espontâneo

Psicólogo não é Gente, é um Estado de Espírito

(Desconheço o(a) autor(a)... Gostaria de saber...)


CARTA ANÔNIMA

Para ler ao som de Melodia
Sentimental, de Villa-Lobos,
cantada por Olí­via Byngton...

Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais
de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que
parecem poeira assentada aos poucos, e com mais força
enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros,
embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de
vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte,
parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos,
o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo
nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses
pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada
e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis.
Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma
borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido
com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha.
Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela.
Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas
ferem, mesmo essas são sempre bonitas. Parecem filme,
livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que
eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
 
Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do
ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a
cabeça na vidraça e penso demais em você. Quando não
encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e
me deixava irritado, agora não, descobri um jeito
engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você.
Me seguro naquela barra de ferro, olho através das
janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do
corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés
delas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés,
lembro). E fico tão abalado que chego a me curvar,
certo que são mesmo os seus pés parados em alguma
parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria,
seriam?
 
Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando
penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina
dou de cara com você que me prega um susto de
mentirinha como aqueles que as crianças pregam uma nas
outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos
tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer
salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou
pensando em você e o telefone toca e corta meu
pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou
pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o
que falamos em seguida porque ficamos meio
encabulados, a gente tem muito poder de parecer
ridículos melosos piegas bregas românticos pueris
banais. Mas no que eu penso, penso também que somos
mesmo meio tudo isso, não tem jeito, e tudo que vamos
dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil
como a voz de Bianca Byngton cantando Villa-Lobos,
mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagall que
Van Gogh, mais Jarmush que Wim Wenders, mais Cecília
Meireles que Nélson Rodrigues.
 
Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando
pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando
penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu
ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então
tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E
deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no
meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a
terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e
nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca
na minha mão, eu toco na sua.
 
Demora tanto que só depois de passarem três mil dias
consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então
feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que
têm algas na superfície ressaltadas contra a areia
branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que
é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se
estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela
barra de ferro para meu corpo balançar como se tivesse
à bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz
tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso
em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente.
Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina,
quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente mas
penso tanto em você que na hora de dormir vezenquando
até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no
lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te
amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem
dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços
azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse
verdade, um beijo.
 
(Caio Fernando Abreu)